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A apresentação do Livro 'Forcão - Capeia Arraiiana' de António Cabanas


Lançamento de livro sobre a Capeia – Sabugal


 


Apesar da absorvente actividade autárquica a que se tem dedicado nos últimos anos, António Cabanas vem publicando com regularidade o resultado do seu labor de  investigador.


Licenciado em sociologia pela Universidade da Beira Interior, tem dedicado parte do seu tempo livre a estudar a problemática do mundo rural, com o qual se identifica. As vissicitudes de um interior em profunda transformação têm-no motivado para o estudo daquilo que mais duradouro tem a ruralidade, a sua cultura. Natural do concelho de Penamacor, nunca escondeu o seu entusiasmo pelos temas de Riba Coa, interesse a


que não é alheio o tempo em que exerceu funções na Reserva da Malcata, primeiro como vigilante da natureza, mais tarde como técnico superior e  director.


Tal como prometera, aí está o seu testemunho sobre a capeia arraiana. Um livro fascinante, magistralmente ilustrado por Joaquim Tomé, um estudo sério, bem escrito sobre a tradição raiana, documento que vem engardecer o património cultural sabugalense: uma bela prenda, para fruição dos amantes da capeia, a apresentar no próximo dia 12 de Junho, às 16 horas, no auditório municipal do Sabugal.


A capeia arraiana é uma tauromaquia popular sui generis que das terras de Riba Côa, faixa de território, conquistado por D. Dinis, situado entre o rio Côa e Castela. A sua principal característica é o uso do forcão, espécie de enorme tridente de madeira manejado por cerca de 30 rapazes, que com ele recebem as investidas do touro.


Tradição ancestral, ciosamente respeitada, arrasta à região milhares de amantes da festa brava, portugueses e espanhóis, mas sobretudo muitos emigrantes. Vale a pena ver!


 


Sobre o livro …


O presente contributo de António Cabanas, para além de contextualizar a lide do touro bravo no espaço e no tempo, sistematiza ideias sobre o forcão e a Capeia Arraiana tornando a presente investigação mais num porto de partida do que um porto de chegada. Assim, haja gente que queira estudar e investigar esta peculiar manifestação cultural, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo António Cabanas, ilustrado de forma excelente por Joaquim Tomé. (António Robalo, Presidente da Câmara Municipal do Sabugal)


Conheci António Cabanas em 2006, no Sabugal, durante as I Jornadas do Con­trabando. Ambos participávamos neste importante evento cultural, promovido pela Sabugal +, sobre uma temática marcante do percurso colectivo das gentes sabu­galenses, sobretudo raianas. Foi, aliás, pouco tempo antes destas Jornadas que foi lançado um outro livro de António Cabanas, Carregos. Desde então, ficou-lhe (ou acentuou-se) o gosto pelo estudo dos temas dominantes da história e da antropolo­gia ribacudense e passámos a cruzar-nos com regularidade noutras manifestações culturais, das Jornadas da Emigração à Homenagem a Joaquim Manuel Correia, das celebrações republicanas à recente evocação da Batalha do Gravato, passando por uma tribuna que nos é comum, o blogue “Capeia Arraiana”.


Foi por isso sem surpresa que recebi a notícia de que se encontrava no prelo mais um estudo de António Cabanas, desta vez abarcando um tema que me é caro: as práticas da tauromaquia popular na raia do Sabugal. Efoi com agrado que acei­tei o convite para prefaciar esta obra.


O livro de António Cabanas, com fotografia de Joaquim Tomé, é uma excelente síntese que recoloca e actualiza o tema das capeias. Todavia, embora as capeias com forcão constituam o cerne deste trabalho, ele vai mais longe, contextualizando as práticas taurinas no espaço e no tempo, lançando um amplo olhar sobre as socie­dades taurológicas. É uma obra destinada ao grande público, mas suficientemente rigorosa para interessar também o investigador e o estudante de Etnologia ou de Antropologia. Epossui vários méritos: porque soube fugir ao tradicionalismo sem cair nos clichés habituais; porque, em “tempos de servidão”, soube tratar com ho­nestidade um tema que facilmente conduz a exageros panegíricos ou a excessos bairristas; e, finalmente, porque a ilustração ultrapassou em muito o habitual, cons­tituindo um trabalho de reportagem aprofundado, completo, de grande qualidade, que valoriza sobremaneira este livro. (Adérito Tavares)


Excertos do livro


Duas décadas depois de andanças e contradanças por outras latitudes, voltei ao aconchego destas terras agrestes (raia) quando ingressei na Reserva da Malcata, com outros companheiros vigilantes do Lince, de Vale de Espinho, dos Fóios, de Malcata e do Meimão. O contrabando, a Espanha e os touros eram quase sempre os temas de conversa na hora da merenda. Daí à primeira Capeia Arraiana foi um salto: o convite do colega Armando, fojeiro, que pegava ao forcão, era irrecusável. Foi desde então que passei a considerar-me raiano, coisa que nem é muito habitual nas gentes da minha terra. (António Cabanas)


(…)


Há quem diga que a capeia arraiana decorre a três tempos, uma espécie de tércios da corrida espanhola: a espera, a lide ao forcão e a corrida do touro. Para nós é  muito mais do que isso, e não pode nem deve resumir-se a cânones que a assemelhem a outras formas tauromáquicas. Ela é única, é sui generis. Motivo de catarse colectiva dos residentes, mas sobretudo dos que vivem em diáspora,  são muitos os momentos da tauromaquia raiana: o encerro, o touro da prova,  o desfile dos jovens, o pedido da praça, a lide ao forcão, a corrida dos cortadores,  a bezerra das crianças, o de­sencerro... Mais do que um espectáculo de 3 ou 4  horas, a festa brava raiana ocupa um dia inteiro,  a começar bem cedo ao nascer do sol. Além disso, a comunidade participa na sua organização, na montagem e desmontagem da praça, no corte e construção do forcão, na colocação das cancelas, na condução dos touros e até na sua lide. É muito mais do que um espectáculo para o qual se adquire o direito a assistir comodamente sentado na bancada. (António Cabanas)


Do fotógrafo


Na cidade aprendi a arte e as técnicas da imagem. A publicidade, a moda, o turismo, em suma, o cosmopolitismo, que no trabalho diário enchiam a objectiva, ganhavam força e renovada expressão perante uma parede de granito, uma truta saída do turbilhão do açude, a mansidão de um campo de giestas em flor, ou uma tradição. Não pude resistir ao fascínio dos touros, ampliado em cada encerro ou em cada Capeia Arraiana. Com entusiasmo, pus mão à obra. Calcorreei caminhos pedre­gosos e poeirentos atrás de cavaleiros altivos. Corri à frente dos touros, que por ve­zes ameaçavam investir no fotógrafo. A adrenalina deu-me a agilidade para galgar muros e ribeiros, não sem alguns trambolhões pelo meio. Tudo por mais um registo fotográfico que contivesse a emoção do acontecimento. (Kim Tomé)


 

Data : 2011-06-14
Autor : Liliana Cabanas
Tradutor :

 

 
 
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  Actualizado2019-11-07