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  Património / Gíria Quadrazenha e Contrabando  
     
 

   Ao falar de Quadrazais, falamos também do Contrabando e claro da Gíria.

   O contrabandista, que pela calada da noite, passava mercadoria por essas serras, montes e penedias, fugindo à guarda fiscal, desapareceu. Com ele foi, lentamente, sendo esquecida a gíria quadrazenha.

   A gíria quadrazenha é um calão contrabandista , isto é, uma linguagem específica usada e desenvolvida por uma população ao longo das décadas de acordo com as suas necessidades. Certamente, a Gíria surgiu a par do contrabando. Como o contrabandista era um homem que palmilhava o país, de norte a sul, e passava ainda além fronteiras, as origens de algumas palavras da Gíria são muito variadas. A essência da Gíria Quadrazenha era comunicar numa linguagem apenas dominada pelos contrabandistas.

Deste modo os Quadrazenhos podiam falar, combinar idas a Espanha, vendas de mercadoria, mesmo na presença dos guardas (fachos), sem serem compreendidos. Um dos primeiros registos históricos da utilização da Gíria foi no reinado de D.Pedro IV, quando se mandou formar um cordão de guardas à volta das aldeias raianas (Quadrazais e Vale de Espinho) de modo a evitar que os Contrabandistas pudessem trazer consigo a peste de Espanha.

   O Contrabando e o uso corrente da Gíria duraram até aos anos 60. A partir da época da emigração o contrabando cessou e a Gíria entrou em desuso, sendo apenas relembrada e conhecida pelos mais velhos.

   Recentemente a SIC emitiu uma reportagem sobre a gíria Quadrazenhoa no qual poderá visionar em:

http://imgs.sapo.pt/sapovideo/swf/flvplayer-sapo.swf?file=http://rd3.videos.sapo.pt/cwIoWbap64eADpf0Wd40/mov/1


 "Maneha Gíria"



Ó manega penha gíria

Inda nentes te altanaste

Mois sabunhe porque penha

Porque com atro galraste.


Moines não se altanou

Nem se crunhe altanar

Tunho juca aos manegos

Que não sabunhem galrar


Ó rapariga és bonita

ainda não te casaste

Eu sei porque é:

porque o outro falaste.


Eu não me casei

Nem me quero casar:

Tenho raiva aos rapazes

Que não sabem namorar. 



In: "À Descoberta de Portugal" - Selecções do reader´s digest, 1982


 


Data : 2010-07-18
Autor : Maria Barreiros
Tradutor :

 

 
 
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  Actualizado2017-09-10